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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A LIÇÃO DA BORBOLETA

"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por varias horas, conforme ela ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou numa tesoura e cortou o rstante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar."

O homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessario à borboleta para passar atraves de pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia que com o fluido do corpo da borboleta fosse para suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar, uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.

Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstaculos, ele nos deixaria alejados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Desafios e Oportunidades - O VERDADEIRO PAPEL DO LIDER

Dario:

Para voce/Para ti
Que tua simplicidade sempre irradie a luz que há dentro de ti e que Deus te abençõe com palavras, gestos e ações de sabedoria.
Com carinho, Edilene Maciel.

"Tu te sentias fraco algum dia? hoje tens força para liderar e não deixar que outros enfraqueçam". Beijos!


"...Ninguem é o que pensa que é, muito menos o que diz que é (...). Ou seja, ninguem é nada sozinho, somos o nosso comportamento com o outro." Luiz Fernando Verísimo

Lembre-se que o caminho se faz ao andar e somos protagonistas dos resultados que desejamos.

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.
Olha para traz, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso atraves das florestas, atraves dos povoados, e ve a sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguem pode voltar.
Voltar é impossível na existencia.
Voce pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano.
Mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado e renascimento.
Assim somos nos.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem!
Avance firme e torne-se Oceano!!!". (anonimo)

agencia humanidade: agenciahumanidade

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SE TEM GOVERNO SOU CONTRA ...

- A politica economica do governo é contraria aos interesses do povo -

- Autor: Dario Correa, educador social/pesquisador.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Rei Filósofo (Para Refletir)

Marco Aurelio, pautou a sua vida em principios que ele mesmo pregava:
- Voce deve dedicar a sua vida a estudar como responder ao mal com o bem.
- A benevolencia é qualidade com que se deve tratar dos delinquentes e, portanto o melhor processo de nos vingarmos dos maus é não ser como eles.
- A humanidade é unida por um parentesco que não é de sangue nem de nascença, mas comunga da mesma fonte de inteligencia suprema.
- Acautela-te, não te destingas por luxos e excessos. Conserva-te simples, bom e puro, austero, inimigo do fausto, amigo da justiça, religioso, humilde, benévolo, humano, firme na pratica dos deveres e, sempre vela pela saúde e consevação dos homens.
- Seja de igual modestia em todas as situações. Teu rostro espelhe santidade, serenidade, extrema doçura, desprezo pelas glorias vãs. Não escutes delatores, procura compreender o sentido profundo dos acontecimentos. Fiques atentos. Não te precipites. Examines, compreendas e, então, age. Sejas laborioso, paciente, sobrio para enfrentar as terefas que te cabem, tanto as mais singelas, como as mais grandiosas.
- O unico fruto da vida terrestre é conservar a alma numa santa dispocição e praticar ações úteis à sociedade.

Autor: Imperador Marco Aurélio(161 a 180 DC), apelidado de "Rei Filósofo".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Idosa é presa pela 300ª vez na Bahia

Maria das Graças Damasceno, 61 anos, é certamente uma recordista mundial no mundo do crime: foi detida pela 300ª vez ontem pela polícia da cidade de Feira de Santana, a 108 quilometros de Salvador.
Maria tem quatro netos e diz que pretica pequenos furtos para sustentá-los, já que não arruma emprego. "Todo mundo me conhece, ninguem quer me dar um emprego honesto", reclamou na Delegacia de Feira de Santana.
Apesar de veterana no "oficio", pois começou a roubar aos 10 anos de idade, "Gracinha", como é conhecida, acabou apanhanda como se fosse uma "cheiro mole" (bandido iniciante, no jargão policial): tentou arrombar a casa de um agente policial durante a noite. Ele acordou com o barulho e quando foi verificar o que estava acontecendo, deu de cara com "Gracinha", uma velha conhecida da ploícia de Feira de Santana.
O delegado Amado Bahia, que atuou a ladra, demonstrou certa impaciencia com o caso. "Acho que vou pedir um exame se sanidade mental para ela, pois não é possível que uma pessoa se deixe prender 300 vezes e não se conserte, ainda mais agora que ela esta até arrombando casa de policial, disse.

Fonte: Jornal À Platéia, 22/07/2000

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

LE MONDE diplomatique

junho 2002




DELIQÜÊNCIA JUVENIL

Punir ou educar?
Em 1831, os jovens delinqüentes ficavam presos durante a noite. De dia, trabalhavam na oficina e recebiam instrução primária e religiosa. Entretanto, a Casa de Correção rapidamente passaria a ser um sistema de encarceramento integral, dia e noite



Jacques Bourquin

Quando se fala de proteção à criança, seria o caso de se proteger do jovem ou de proteger o jovem? Esse debate acompanha a história da intervenção junto a menores que têm problemas com a justiça – onde também reaparece regularmente a tentação dos centros de reeducação fechados...

Desde a Revolução Francesa, o eixo central da legislação é a pena educativa e prevê Casas de Correção. As primeiras apareceriam no período da Monarquia de Julho (1830-1848). Enquanto esperavam, os jovens ficavam na prisão misturados com os adultos.

“Recolhimento e contrição”
A Casa de Correção da Petite Roquette, em Paris, teve por inspiração um modelo norte-americano observado por Tocqueville em 1831
A preocupação em separar os jovens dos adultos levaria à abertura, em 1836, da Casa de Correção da Petite Roquette, em Paris, inspirada em um modelo norte-americano observado por Tocqueville em 1831. É uma prisão com celas (586) para menores delinqüentes, abandonados e crianças internadas por solicitação paterna1. Num primeiro momento, os jovens presos ficavam na cela durante a noite. Durante o dia, os jovens detidos trabalhavam em silêncio na oficina, recebiam instrução primária e religiosa. Realizava-se o desejo do legislativo de 1791: ligar a pena à educação.

Entretanto, por razões disciplinares, a Petite Roquette rapidamente passaria a ser um sistema de encarceramento integral, dia e noite. Na concepção estritamente religiosa, o isolamento e o silêncio aparecem como uma caução à redução da pena, pois incentivariam “o recolhimento e a contrição2”. Nessa mesma época, as “meninas perdidas” também seriam recolhidas às instituições religiosas “Bons Pasteurs”, lugar intermediário entre o convento e a prisão.

Exército assume obra de reeducar
Depois, o silêncio redentor da Petite Roquette seria substituído pela “natureza redentora”, com a criação das colônias agrícolas que inauguram um espaço fora da prisão para menores sob a guarda da justiça (leia, nesta edição, “Um século e meio de vaivém”, de Jacques Bourquin). Mettray, a mais célebre entre elas, seria inaugurada nos padrões da filantropia social, em 1839, pelo juiz Frédéric-Auguste Demetz. Se, no momento de sua criação, as colônias pareciam ser uma alternativa à prisão, na prática seriam apenas o seu prolongamento. Com a concentração proletária nas cidades, o regime fica mais duro. Não se acredita mais na eficácia da prisão que corrige, mas na que sanciona. A piedade é progressivamente substituída pelo medo social.

Também no final do século XIX, as “meninas perdidas” seriam recolhidas às instituições “Bons Pasteurs”, lugar intermediário entre o convento e a prisão
Pouco a pouco, a imagem da criança pobre e abandonada, de “inocente culpada”, seria substituída pela da criança criminosa, tomando por referência as novas teorias do “criminoso nato”. Em 1860, já não se trata de projetos de educação: existe o castigo e a prisão nas colônias penais públicas – prisões que não são chamadas como tais. O Estado multiplica o número desses estabelecimentos, onde os menores são colocados durante vários anos, obedecendo à simples lógica da exclusão e da punição: os dormitórios seriam progressivamente transformados em “engradados de galinhas”. O trabalho deixaria de ser orientado pela preocupação com a aprendizagem, como era trinta anos antes: passaria a ser um elemento da pena a ser cumprida. “É preciso dominar a criança”, escrevia o diretor da administração Penitenciária em 1890. “Se ela continua a errar é porque a disciplina não foi suficiente.” A repressão aumenta em intensidade e na duração... os batalhões disciplinares do exército assumiriam o posto e prosseguiriam... a obra de reeducação!

Medidas de assistência educacional
Na virada do século XIX para o século XX, a importância que a III Republica atribuía à educação e a proteção à infância – os primeiros trabalhos de psicologia sobre problemas da juventude delinqüente e a criação de Comitês de Defesa das Crianças para atuar nos tribunais perante um juiz – fariam avançar a legislação, como, por exemplo, a lei de 1912 que instaura o Primeiro Tribunal para a Infância. Isso não terá nenhum efeito sobre as colônias penais. Um jornalista, Louis Roubaud, as denunciaria violentamente em um livro publicado em 1925, Les enfants de Caïn: o autor cita essas “escolas profissionais que são na realidade escolas da prisão” e “a ferocidade dos colonos que só é comparável à dureza do regime disciplinar”.

Com a concentração proletária nas cidades, o regime fica mais duro. Não se acredita mais na eficácia da prisão que corrige, mas na que sanciona
A revolta dos colonos de Belle-Ile-en-Mer, em 1934, daria origem a uma vigorosa campanha da imprensa feita por outro jornalista, Alexis Danan. As denúncias levariam o legislativo, um ano mais tarde, a desconsiderar menores abandonados como criminosos e a prever medidas de assistência educacional. A opinião pública assumiria a luta pela reforma dessas instituições. É verdade que nessa época a delinqüência de menores não chegava a preocupar: como poucas crianças haviam nascido durante a guerra, havia poucos adolescentes em 1935. As primeiras reformas se dariam em 1937-38 com a colaboração da Direção do Ensino Profissional. Os menores delinqüentes seriam matriculados num ciclo pedagógico normal. Entretanto, seriam necessários uns vinte anos para que essas instituições se livrassem totalmente da referência penitenciária.

Tipos de trabalho da Educação Vigiada
A portaria de 2 de fevereiro de 1945, tantas vezes mencionada, baseia-se na prioridade dada à medida educacional sobre a medida penal, que permanece como exceção. Um passo parecia ter sido dado: desaparece ambigüidade entre a pena e a medida educacional. Ainda conforme esse texto, seria criada no Ministério da Justiça uma Direção de Educação Vigiada, totalmente autônoma da administração penitenciária. Seu papel seria criar estruturas educacionais adaptadas à nova legislação e um verdadeiro estatuto de educador.

Com o fim da guerra, a educação vigiada passaria a dispor de três tipos de trabalho em regime de internato:

1. Os Centros de Observação, que servem para fornecer ao juiz dados sobre a personalidade da criança e de seus pais;

Obedecendo à simples lógica da exclusão e da punição, os dormitórios das colônias seriam progressivamente transformados em “engradados de galinhas”
2. As Instituições Públicas de Educação Vigiada (IPES), instaladas quase sempre em ex-colônias penais que teriam seus muros derrubados. Recebem aproximadamente 200 jovens, para ali enviados por juízes, para fazerem cursos de formação profissional (2 a 3 anos) e para se socializarem através da vida em grupo, orientados por educadores. Essas instituições abertas têm por objetivo a reeducação.

3. Os internatos corretivos. Semelhantes às colônias penais, estes acolhem menores condenados e indisciplinados dos IPES. Trata-se de uma lógica de pena e repressão em que a intervenção educacional é ainda muito aleatória. Muito repressivos, esses internatos não se inserem nas orientações pedagógicas da educação vigiada. Seriam fechados em 1951.

Trabalho pluridisciplinar
A partir de então, a Educação Vigiada deixaria de receber menores condenados a penas de prisão e, sim, aqueles encaminhados para se submeterem a medidas educacionais. É essa a lógica da portaria de 1945: a pena de prisão decorre da administração penal e a medida educacional deve ser confiada ao setor da Educação Vigiada, particular ou pública.

Em 1945, surgia a Educação Vigiada, com o papel de criar estruturas educacionais adaptadas à nova legislação e um verdadeiro estatuto de educador
Preocupada com o problema dos reincidentes e dos menores recalcitrantes dos IPES, a Direção da Educação Vigiada abriria, em 1952, duas instituições especiais (IPES) – prisões desocupadas cujas grades foram serradas, multiplicando-se as aberturas. Cada estabelecimento recebeu de 15 a 20 alunos por um período de seis meses; insistia-se no aprendizado de artesanato feito fora do estabelecimento, na necessidade de uma ação pedagógica individualizada baseada em um conhecimento profundo das pessoas, em colaboração com o setor psiquiátrico. Seria o inicio da tímida abertura para um trabalho pluridisciplinar que iria além da intervenção pedagógica e normativa do IPES. Um dos centros, o de Sables d ‘Olonne, seria fechado em 1958 após alguns incidentes com os veranistas que freqüentavam a região; talvez o lugar não tenha sido bem escolhido. O segundo se tornaria uma residência para adolescentes com problemas.

Educação e segurança
Entretanto, a partir de 1958, o aumento da delinqüência juvenil começaria a preocupar os poderes públicos, embora possa ser explicada do ponto de vista demográfico como resultante do baby-boom do fim da guerra. Os fenômenos dos bandos – do tipo “juventude transviada” – reforçariam na opinião pública o sentimento de mal-estar dos jovens. A educação vigiada, que estava em vias de adotar políticas de prevenção – com a promulgação da portaria de 1958, sobre a infância em situação de risco – retorna às estruturas penais. Nas prisões, os pavilhões reservados aos menores passam a ser administrados pela educação vigiada sob o nome de Centro Especial de Observação da Educação Vigiada (CSOES). Trata-se – explicariam – de “conjugar a detenção preventiva com uma estrutura educacional”.

Isso leva os juizes de instrução, cada vez mais envolvidos com os processos de menores, a privilegiar esse tipo de internato que parece oferecer garantias de educação e segurança ao mesmo tempo. Muitos dos delinqüentes que aí se encontram são primários, muitas vezes ladrões de carros. Em Fresnes (Val-de-Marne), 60 lugares seriam reservados – uma cela para cada jovem; em 1963, amontoavam-se 180 jovens, ou seja, três menores por cada cela. Para pôr fim a essa superlotação endêmica, quando completam 18 anos os menores são transferidos para a prisão de adultos. O mesmo acontece com os reincidentes de 17 anos, após um período de observação.

Uma enorme panela de pressão
No final da década de 50, o fenômeno dos bandos – do tipo “juventude transviada” – reforçariam na opinião pública o sentimento de mal-estar dos jovens
Balanço: segundo um estudo sobre os CSOES, em 1966 somente 14% dos menores receberam algum apoio educacional durante seu período de internação; para os outros, a sanção que se dizia educativa não resultou em qualquer estímulo de tratamento. Quando foram fechados, em 1979, um relatório de inspeção concluiu que “40% dos menores que passaram pelos CSOES poderiam ter sido observados em outros lugares” e atestam o “perigo da existência de centros fechados”.

A tentação do discurso de segurança prosseguiria com a criação de Centros de Observação de Segurança (COS) em 1970, previstos no âmbito do V Plano de governo (1966-1970) numa média de um por região. Apenas dois seriam abertos. Os principais objetivos foram contribuir para a diminuição da detenção provisória, que aumentara na década de 60 duas vezes mais rápido do que a delinqüência juvenil; e permitir uma observação de um a dois meses. Não se trata de uma estrutura penal, mas o aspecto externo não é menos ambíguo com suas grades, um muro alto ao redor, vidros reforçados... Embora cada estabelecimento pudesse receber 72 jovens, não receberia mais que 30. Jean Guéry, último diretor do Centro de Juvisy, lembrou recentemente a violência latente que ali existia: “A concentração, num lugar tão restrito, de jovens com problemas tão semelhantes, fazia o estabelecimento parecer uma enorme panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento3.” Um relatório de pesquisa divulgado pelo Centro de Vaucresson em 19784 menciona que metade dos jovens estavam ali pela primeira vez porque não havia sido solicitado o apoio de outras estruturas. Entre os 735 jovens observados em Juvisy entre 1970 e 1976, 60% estavam presos, após passarem dois anos no Centro. Para muitos, o Centro era o preâmbulo de uma carreira de delinqüente. O fracasso do COS levaria a abandonar as características fechadas e seguras desse tipo de instituição.

Medidas alternativas à prisão
Uma outra experiência mais centrada no tratamento seria a do centro fechado de Vauhallan, aberto em 1970 pelo dr. Roumajon, ex-psiquiatra do Pavilhão de menores de Fresnes. Embora o fator segurança fosse predominante (áreas cercadas, quartos isolados), havia uma lógica de tratamento que implicava em ações individualizadas de assistência médica, educacional, psicológica. Mas os especialistas iriam constatar que esse tipo de estabelecimento “é conveniente apenas para jovens com tendência psicótica e que os menores delinqüentes desenvolvem uma angústia que multiplica os comportamentos violentos e as tentativas de suicídio”. A experiência terminaria em 1974.

A tentação do discurso de segurança prosseguiria com a criação de Centros de Observação de Segurança em 1970, previstos no V Plano de governo
Nessa época, um relatório do Tribunal de Menores de Paris ao ministro da Justiça5 concluía: “Os estabelecimentos fechados são destinados ao fracasso e funcionam como depósitos. (....) A ação educacional para os jovens necessita de tempo, espaços de liberdade, não é conciliável com ambientes fechados.” Quatro anos mais tarde, Alain Peyrefitte, ministro da Justiça, preocupado com o aumento do número de detenções provisórias de menores e a reincidência que isso desencadeia, pôs fim à experiência dos CSOES nas prisões. Em 1985, um novo artigo, acrescentado à portaria de 1945, passou a obrigar todas as instituições educacionais a enviarem um comunicado ao Tribunal que propõe, para cada menor, medidas alternativas à prisão.

Os riscos da educação
O Centro fechado atende, principalmente, a exigências de ordem pública, que o compreende como um simulacro de prisão. As medidas de proteção judiciária não devem excluir dos menores a possibilidade de viverem a sua adolescência. A delinqüência juvenil muitas vezes é apenas um fenômeno passageiro agravado por graves problemas sociais e culturais. O menor delinqüente, mais do que qualquer outro, têm necessidade de acolhida, de escuta, de formação, de trabalho, assim como de aprender os limites e as fronteiras dos lugares que não sejam lugares de exclusão. A experiência dos centros fechados mostra bem a diferença que existe entre um lugar de contenção – que tem tudo de uma prisão – e um lugar de educação que torne possível o aprendizado da lei e a aceitação dos limites. É nessa opção educacional que a proteção judiciária da juventude encontra a sua legitimidade.

Ao criar nestes últimos anos, entre outras medidas, os Centros de Internação Imediata (CPI) e os centros de educação reforçada (CER), a Justiça se esforça para trazer respostas aos jovens mais desestruturados que têm necessidade de um acompanhamento permanente – em pequenas estruturas abertas que associam observação, relação individual, vivida em grupo, e trabalho com as famílias. A Direção da Proteção Judiciária à Juventude faz, neste momento, suas primeiras avaliações. Entretanto, essas novas estruturas só terão sentido se no término dessas curtas estadias (de 3 a 6 meses) for organizado um verdadeiro acompanhamento educacional.

Paul Lutz, magistrado pioneiro da Educação Vigiada, escreveu em 1947: “Há reeducação quando nos expomos ao risco educacional.” Tomemos o risco da educação.
(Trad.: Celeste Marcondes)

1 - Até 1935, a lei dava ao pai o direito de exigir e solicitar a prisão de seu filho durante um mês, se o menor tivesse menos de 16 anos, e durante seis meses, se tivesse de 16 a 21 anos.
2 - Ler, de Henri Gaillac, Les maisons de correction, 1830-1845, ed. Cujas, Paris, 1991.
3 - Entrevista com Cecile Pieur, “Centro de Juvisy, ‘uma prisão que não quer ser chamada assim, prestes a explodir a qualquer momento’”, Le Monde, 23 de abril de 2002.
4 - Ler, de Francis Bailleau, Christian Léomant e Vincent Peyre, “Controle dos desvios de comportamentos juvenis, processos dos percursos nas instituições”, ed. Cefres, Vaucresson, 1978.
5 - Relatório do juiz Molines, presidente do Tribunal, ao ministro da Justiça, Jean Taittinger, 1974.